A Máscara Veneziana - Conto
O campanário remete a um alteroso farol flamejante. Seria até blasfematório, caso fosse desprovido dos alvos ornamentos em mármore e, sobretudo, do Arcanjo Gabriel, que resplandece do cume em sua áurea constituição. Por essa razão, quando a humanidade é coberta pela neblina, aparenta que ele nos rege do plano celeste. Ou melhor, rege o resto de nós. Não sou ignara o suficiente para crer que serei abençoada com a absolvição divina. Ademais, existe a Torre do Relógio. Quem se instrui diz haver ali todo o universo pormenorizado. Contudo, pessoalmente, aprecio o vivaz azul salpicado de estrelas que reveste alguns adornos, o leão alado que representa o maior símbolo citadino e os dois mouros petrificados do sino, que repousa no píncaro como uma elegante coroa. Há também a basílica, cujas cúpulas se agregam uma sobreposta à outra, como a mais exuberante cordilheira arquitetônica exequível. Ela serve de encantador cenário para os Cavalos de bronze de Con...




