No sopé do Mont Blanc, o espírito do Natal resiste
No sopé do Mont Blanc, o espírito do Natal resiste
Megève,
instalada entre as montanhas, é como a personificação fantasiosa do que compreendemos
por vilarejo alpino: chalés de madeira, um campanário que recorta o horizonte e
ruas que, a partir da primeira nevasca, parecem ter sido pinceladas por um artista
caprichoso. Situada no Mont Blanc, o colosso nevado é entronizado na célebre
tríade europeia: Suíça, Itália e França onde está Megève. Emanando, desde
sempre, uma dupla condição de refúgio e espetáculo da natureza.
Com
a aproximação invernal, a paisagem é transformada; o silêncio rarefeito da
altitude é preenchido por passos delicados sobre a neve, o sopro do vento rabisca
flocos de gelo que o homem evidencia através da variegada iluminação. Essa metamorfose
não é apenas visual, outrossim representa um outro modo de vida que encarna um
recolhimento caloroso que o vilarejo promove durante toda a temporada.
Uma tradição festiva já quase ritualística é a iluminação da árvore na praça central, cerimônia essa que agrupa moradores e visitantes em uma mesma expectativa e que, em todo anoitecer, devolve à aldeia o espírito natalino.
É
legítimo criticar a mercantilização do Natal? Considerando que, em via de
regra, o próprio menino Jesus e os seus ensinamentos são preteridos por toda
ornamentação de luzes brilhantes e barracas comerciais, isto é, o consumo se
sobrepõe a reflexão ao disfarçar-se de tradição. Essa condenação é muito
pertinente por demonstrar que nem tudo que reluz é natalino. Ainda assim, eu
confesso que, quando a praça principal refulge sob neve e guirlandas, e o ar gélido
reaquece as risadas e conversas algo de verdadeiramente comovente acontece.
Uma
espécie de espetáculo a céu aberto que, conquanto concebido para lucrar, pode
também reavivar uma afetividade coletiva o que decerto enquadra-se entre as
virtudes do Natal.
Convido,
portanto, que se projete na imaginação em uma caminhada vagarosa com especial
atenção as luzes que se infiltram nas copas das árvores tão insignificantes em
comparação ao descomunal Mont Blanc, o vigilante gigante branco, que empresta
ao cenário alpino uma serenidade própria das montanhas. Se aceitarmos a magia
sem ingenuidade, Megève retribui com algo raro: um Natal que é, em
concomitância, mercantil e mítico.
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Lindo! Parabéns, estava com saudade, querida.
ResponderExcluirFeliz que tenhas gostado! Tem muito mais literatura e arte por vir!
ExcluirParabéns!!! Um belo prenúncio ao Natal!
ResponderExcluirObrigado, é uma homenagem a um período festivo que tanto me toca!
Excluir👏👏👏
ResponderExcluirGrata!
ExcluirPalavras líricas e uma sensibilidade ímpar
ResponderExcluirObrigado, é esse tipo de incentivo que faz tudo valer a pena!
ExcluirAdorei! Os Alpes franceses, embora menos famosos, são tão extraordinários quantos
ResponderExcluirCom certeza, é uma cordilheira deslumbrante; uma autêntica obra de arte
ExcluirGostei muito, de uma delicadeza especial, parabéns escritora
ResponderExcluir❤️
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