O coelho pagão que salta pelos séculos cristãos
O coelho pagão que salta pelos séculos cristãos Por entre os aromáticos campos de tulipas em Amsterdã, as colinas em plena florescência de Heidelberg, os parques festivos de Paris e os pátios ensolarados de Praga, o coelho corre, saltitante e cerimonioso, como quem traz consigo a alvorada da primavera. Ali, onde as flores despertam em sincronia com o calendário pascal, ele simboliza a renovação concernente a toda e qualquer vida, inclusive a silvestre. No entanto, eis que, atravessando oceanos e estações, o mensageiro primaveril também chega ao hemisfério sul, onde entre folhas secas que se acumulam delicadamente nos jardins de Gramado , é recebido, outrossim como uma célebre aparição sacra. Consequentemente, até a névoa que, apesar de já pressentir a morte invernal, rende-se à alegria restauradora do período pascal. Sendo assim, prolifera-se o ícone do coelho — criatura miúda, mas ancestral em sua simbologia — em toda a nossa ornamentação ocidental. O mesmo habita em vitrines r...